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Cuidado do paciente diabético e do pé diabético

O diabetes afeta ao mesmo tempo os nervos e os vasos do pé. O resultado é uma combinação perigosa: a pessoa sente menos, machuca sem perceber, e o sangue que deveria cicatrizar chega em menor quantidade.

Por que o pé é o ponto mais frágil

Com o tempo, o excesso de glicose no sangue lesa as fibras nervosas — é a neuropatia. O pé perde sensibilidade à dor, ao calor e à pressão. Uma pedra dentro do sapato, uma unha encravada ou uma bolha passam despercebidas por dias.

Ao mesmo tempo, o diabetes acelera a formação de placas nas artérias das pernas — a doença arterial periférica. Chega menos sangue ao pé, e sem sangue não há cicatrização nem defesa contra bactérias.

Quando essas duas coisas se encontram, uma lesão banal pode se tornar uma infecção profunda em poucos dias, muitas vezes sem dor que alerte o paciente.

O que a avaliação vascular procura

A consulta avalia o pulso das artérias do pé, a temperatura e a cor da pele, a presença de calosidades e deformidades, e a sensibilidade protetora. Quando há suspeita de redução do fluxo, o ultrassom com Doppler mostra onde estão as obstruções e qual a gravidade.

Esse mapeamento é o que define a conduta: um pé com boa circulação e uma lesão superficial é tratado de um jeito; um pé isquêmico, com fluxo comprometido, exige revascularização antes que qualquer ferida consiga fechar.

Tratamento e revascularização

Quando o exame mostra obstrução arterial significativa, o objetivo é restaurar o fluxo — por técnica endovascular, com cateter e balão, ou por cirurgia de ponte, conforme a anatomia de cada paciente. Restabelecer a circulação é o que dá ao pé a chance real de cicatrizar.

Junto vem o controle da infecção, a retirada do tecido inviável, o alívio da pressão sobre a área lesada e o controle rigoroso da glicemia, em conjunto com o endocrinologista e com a equipe de enfermagem.

Prevenção: o que realmente muda o desfecho

A maior parte das amputações em pessoas com diabetes começa por uma lesão que poderia ter sido percebida cedo. Examinar os pés todos os dias, usar calçado adequado, não andar descalço, tratar unhas e calos com profissional e manter o acompanhamento vascular periódico são medidas simples com impacto real.

Quem tem diabetes há mais de dez anos, fuma, tem alteração de sensibilidade ou já teve alguma ferida no pé precisa de avaliação vascular de rotina, mesmo sem sintoma nenhum.

Dúvidas

Perguntas frequentes

Com que frequência quem tem diabetes deve fazer avaliação vascular?

Como regra geral, ao menos uma vez por ano — e com intervalos menores quando já existe alteração de sensibilidade, redução de pulso, deformidade no pé ou história de ferida anterior. O intervalo é definido caso a caso na consulta.

Toda ferida no pé de diabético vira amputação?

Não. A maioria das lesões identificadas cedo e tratadas com a circulação restabelecida evolui bem. O risco cresce quando a ferida é ignorada, quando existe infecção profunda ou quando o fluxo arterial está muito comprometido.

Sinto formigamento mas não tenho ferida. Preciso me preocupar?

O formigamento é justamente o sinal de que a proteção contra a dor está diminuindo — é o momento certo de intensificar a prevenção, antes de qualquer lesão aparecer.

Quem cuida do pé diabético é o endocrinologista ou o cirurgião vascular?

Os dois, em frentes diferentes. O endocrinologista trata o diabetes; o cirurgião vascular avalia e trata a circulação do membro. O melhor resultado vem do acompanhamento conjunto.

Esse é o seu caso?

Marque uma consulta e faça a avaliação com quem é especialista em cirurgia vascular e endovascular.

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