Tratamento de feridas nas pernas
Uma ferida que não fecha em quatro semanas quase nunca é um problema só de pele. Na maior parte dos casos existe uma doença de veia ou de artéria por trás, e enquanto ela não for tratada o curativo sozinho não resolve.
Por que uma ferida na perna não cicatriza
A pele da perna precisa de dois caminhos funcionando: a artéria que traz sangue com oxigênio e a veia que leva o sangue de volta ao coração. Quando um dos dois falha, o tecido perde a capacidade de se reconstruir e a lesão se mantém aberta por meses.
Nas úlceras venosas — as mais comuns — o sangue fica represado na perna, a pressão dentro da veia aumenta e a pele do tornozelo endurece, escurece e acaba se rompendo. Nas úlceras arteriais, o problema é o oposto: chega pouco sangue, e a ferida costuma ser mais dolorida, com fundo pálido e bordas bem marcadas.
Existem ainda as feridas do pé diabético, as ligadas a infecções e as de causas mais raras, como as vasculites. Cada uma exige uma conduta diferente, e é por isso que o primeiro passo nunca é o curativo — é o diagnóstico.
Como é feita a avaliação
A consulta começa pela história: há quanto tempo a ferida existe, o que já foi tentado, se dói mais deitado ou em pé, se há inchaço, se existe diabetes, hipertensão ou tabagismo. Em seguida vem o exame das duas pernas, a palpação dos pulsos e a avaliação da pele ao redor.
Na maioria dos casos é solicitado o ultrassom com Doppler, que mostra em tempo real como o sangue está circulando nas veias e nas artérias. É esse exame que separa uma úlcera venosa de uma arterial — e essa distinção muda completamente o tratamento.
O que o tratamento envolve
Tratar a ferida é tratar a causa. Nas úlceras venosas, isso significa controlar a hipertensão venosa: terapia compressiva bem indicada, cuidado com a pele e, quando há refluxo importante, correção das veias doentes. Nas úlceras arteriais, o objetivo é restabelecer o fluxo de sangue — o que pode envolver procedimentos endovasculares ou cirurgia de revascularização.
Em paralelo, a ferida recebe curativo adequado ao seu estágio, e condições que atrapalham a cicatrização — glicemia descontrolada, desnutrição, infecção, tabagismo — são enfrentadas junto. O acompanhamento é periódico, porque a conduta muda conforme a lesão evolui.
O risco de esperar
Receitas caseiras e produtos indicados por conhecidos são muito comuns nesse tipo de ferida, e quase sempre atrasam o cuidado certo. Nesse intervalo a lesão pode aumentar, infeccionar e comprometer estruturas mais profundas.
Feridas que se aprofundam, com secreção, odor forte, vermelhidão que se espalha ou febre precisam de avaliação com urgência. Nos casos mais graves, uma infecção mal controlada pode levar à perda do membro.
Perguntas frequentes
Quanto tempo leva para uma úlcera na perna cicatrizar?
Depende da causa, do tamanho e do tempo em que a lesão está aberta. Úlceras venosas tratadas corretamente costumam evoluir ao longo de semanas a meses. O ponto decisivo não é o curativo, e sim o controle da doença que originou a ferida — sem isso, ela reabre.
Posso usar pomada indicada por outra pessoa?
Não é recomendável. Cada tipo de ferida exige um curativo diferente, e o produto errado pode irritar a pele, mascarar uma infecção e atrasar o diagnóstico. Antes de qualquer produto, é preciso saber se a causa é venosa, arterial ou outra.
A meia de compressão serve para qualquer ferida?
Não. A compressão é peça central no tratamento das úlceras venosas, mas pode ser prejudicial quando existe obstrução arterial importante. Por isso a avaliação da circulação arterial vem antes da indicação da compressão.
Preciso ficar internado?
Na maioria dos casos o tratamento é ambulatorial, com retornos programados. A internação fica reservada a infecções graves ou a situações que exigem procedimento de revascularização.
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